Brasil, na mira do imperialismo

Cristina Cardoso – AVANTE

Es­tamos a menos de catro dias das elei­ções ge­rais no Brasil, a 4 de Ou­tubro, que ele­gerão o Pre­si­dente, go­ver­na­dores, se­na­dores e de­pu­tados fe­de­rais e es­ta­duais. Nestas elei­ções estão em causa a de­mo­cracia e a so­be­rania do país, mas também a in­te­gração la­tino-ame­ri­cana e a pro­cla­mação desta re­gião como zona de paz. Ao longo do ano de 2026, o im­pe­ri­a­lismo norte-ame­ri­cano tem in­ten­si­fi­cado, por toda a Amé­rica La­tina e Ca­raíbas, ac­ções de aberta in­ge­rência, co­erção e agressão, blo­queios e san­ções, pondo em prá­tica o dito “co­ro­lário de Trump” da dou­trina Monroe, ex­posto no final de 2025 na de­no­mi­nada “Es­tra­tégia de Se­gu­rança Na­ci­onal dos EUA”.

Governo do Brasil foi acusado pelos EUA de “fa­lhar” no com­bate a or­ga­ni­za­ções li­gadas ao nar­co­trá­fico,

Desde a agressão mi­litar à Ve­ne­zuela e a sua tu­te­lagem, o re­cru­des­ci­mento do cri­mi­noso e ge­no­cida blo­queio e cerco ener­gé­tico a Cuba, às pres­sões sobre o go­verno pro­gres­sista do Uru­guai, às in­ter­fe­rên­cias di­rectas nos pro­cessos elei­to­rais na Ar­gen­tina, Hon­duras, Equador, Chile, Peru, Colômbia, fa­vo­re­cendo forças da ex­trema-di­reita e fas­ci­zantes, os EUA apontam agora como alvo o Brasil, pro­cu­rando der­rotar, nestas elei­ções, o pro­jecto so­be­rano e de de­sen­vol­vi­mento pro­ta­go­ni­zado por Lula da Silva.

A in­tenção é pôr toda a Amé­rica La­tina ao ser­viço dos in­te­resses he­ge­mó­nicos do im­pe­ri­a­lismo norte-ame­ri­cano e o Brasil é uma peça-chave nesses in­tentos, pois é hoje uma das dez mai­ores eco­no­mias no mundo, a se­gunda maior de­ten­tora de terras raras, a se­guir à China – com quem tem re­for­çado as suas re­la­ções –, e joga um im­por­tante papel no pro­cesso de re­ar­ru­mação de forças em curso, como é exemplo a sua par­ti­ci­pação em es­paços de co­o­pe­ração mul­ti­la­teral, como o BRICS. A ad­mi­nis­tração norte-ame­ri­cana tem usado vá­rios ins­tru­mentos que visam a in­ge­rência e o con­di­ci­o­na­mento da so­be­rania do Brasil. Seja a im­po­sição de ta­rifas ex­tra­or­di­ná­rias sobre pro­dutos bra­si­leiros, com ob­jec­tivo de afectar a eco­nomia bra­si­leira e con­di­ci­onar as suas re­la­ções co­mer­ciais ex­ternas, as san­ções contra o juiz do Su­premo Tri­bunal que julgou Jair Bol­so­naro, as cres­centes pres­sões em torno das ques­tões de se­gu­rança pú­blica e sobre a ac­tu­ação das ins­ti­tui­ções bra­si­leiras, como é exemplo o re­la­tório anual en­viado ao Con­gresso dos EUA que acusou o Brasil de “fa­lhar” no com­bate a or­ga­ni­za­ções li­gadas ao nar­co­trá­fico, clas­si­fi­cados pre­vi­a­mente por estes como “or­ga­ni­za­ções ter­ro­ristas”, ali­men­tando a re­tó­rica da ex­trema-di­reita no Brasil.

Não obs­tante tudo isto e apesar de con­tra­di­ções dentro do go­verno de Lula da Silva, com­posto por di­ver­si­fi­cadas forças, o Brasil tem de­fen­dido a sua so­be­rania e re­jei­tado as pres­sões dos EUA, assim como tem de­fen­dido a paz e a co­o­pe­ração entre os povos. Nos úl­timos 5 anos foram re­ver­tidas as po­lí­ticas anti-so­ciais dos go­vernos de Temer e Bol­so­naro, re­ti­rando 8,6 mi­lhões de pes­soas da po­breza, e em 2025, o Brasil voltou a sair do Mapa da Fome da FAO – a 1ª vez tinha acon­te­cido em 2014 no go­verno de Dilma Rous­seff – e o de­sem­prego caiu para mí­nimos re­cordes no se­gundo tri­mestre deste ano, cerca de 5,3 %. Nestas elei­ções, joga-se o fu­turo ime­diato do povo bra­si­leiro e do Brasil, com im­pli­ca­ções para a Amé­rica La­tina, para a co­o­pe­ração mul­ti­la­teral no plano in­ter­na­ci­onal, para a Paz. A eleição de Lula da Silva e o avanço das forças pro­gres­sistas no Brasil serão fun­da­men­tais para a de­fesa da de­mo­cracia e da so­be­rania do Brasil, para a pos­si­bi­li­dade de cons­truir um país ao ser­viço dos in­te­resses do povo bra­si­leiro, para a de­fesa da paz e a luta anti-im­pe­ri­a­lista que tra­vamos.

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