Cristina Cardoso – Avante pt
O criminoso bloqueio dos EUA a Cuba, com carácter extraterritorial e ilegal à luz do direito internacional, é a medida coerciva unilateral mais longa da história imposta a um povo, havendo várias gerações de cubanos que já nasceram debaixo do bloqueio. Os prejuízos e as consequências para o desenvolvimento de Cuba são imensuráveis, mas o que o povo cubano alcançou ao longo de 67 anos de Revolução socialista, sob a direcção do Partido Comunista de Cuba, é extraordinário. Seja na saúde, educação, ciência, cultura ou na solidariedade com outros povos, Cuba é um exemplo para o mundo.
Um exemplo de um país, com pouco mais de 10 milhões de habitantes, que o imperialismo norte-americano está empenhado em derrubar. Mais de 60 anos de ininterrupta agressão, que as administrações de Trump têm intensificado e que nos últimos meses foi elevada a um patamar ainda mais desumano, com várias ordens executivas de carácter extraterritorial e ameaças despudoradas de agressão militar.
A ordem executiva assinada no 1.º de Maio veio multiplicar os efeitos extraterritoriais do bloqueio com a potencial aplicação de sanções secundárias contra empresas, bancos e entidades estrangeiras, mesmo que os seus negócios nos EUA não tenham qualquer ligação a Cuba. É o caso de empresas da área de mineração, companhias aéreas – afectando duramente o turismo, sector que mais divisas fazia entrar no país – ou mesmo empresas de transporte marítimo, pondo em causa a entrada de ajuda humanitária que a solidariedade internacional tem feito chegar a Cuba.
Esta medida é um acto de agressão económica implacável que dificulta ainda mais o funcionamento da economia cubana, que nos últimos meses tem enfrentado os efeitos devastadores da paralisação da entrada de combustível, imposta pelos EUA a 29 de Janeiro de 2026, e que apenas foi rompida com chegada, no inicio de Abril, de um navio petroleiro russo com 100 mil toneladas de crude.
Como ao longo de mais de 60 anos, Cuba continua a resistir e a defender a sua soberania e independência. Mas o imperialismo norte-americano procura levar o povo cubano ao desespero e alimenta narrativas em torno de uma falsa “ameaça” que Cuba representaria para a segurança dos EUA – veja-se os rumores criados sobre drones adquiridos por Cuba para “atacar” os EUA ou a preparação de acusações contra Raul Castro, pelo derrube de avionetas que invadiram provocatória e ilegalmente o espaço aéreo cubano e estavam envolvidas numa operação de desestabilização contra Cuba em 1996 –, para além de todas as declarações de Trump e Rubio para inventar um pretexto que cubra qualquer tipo de agressão militar.
Perante o desastre da agressão ao Irão e as suas consequências internas para a administração de Trump, Cuba tornou-se uma “peça” importante com vista às eleições intercalares para o Congresso dos EUA, que se realizam em Novembro. Para o imperialismo, a derrota de Cuba socialista e de um povo que persistentemente tomou nas suas mãos o seu destino é “pedra angular” na sua ambição hegemónica sobre o mundo.
Por isso é tão importante a solidariedade. A de vários países, que sob acosso do EUA, continuam a enviar ajuda a Cuba, e de todos quantos se organizam e multiplicam as acções de solidariedade. Por Cuba, que os democratas, progressistas e revolucionários não faltem à chamada!
